Paranoid Park é um filme sobre o cinema. Baseado em fatos reais, conta a história de um crime (ou seria um acidente?) ocorrido nas imediações de um parque de skatistas. A narrativa em off privilegia o ponto de vista do protagonista Alex e contribui para a construção de um drama psicológico e (por que não) social. Mas afinal de contas, onde entra o qualitativo de “filme sobre cinema”?

Simples, em todo o filme. O cinema está ali, em todos os milhares de fotogramas, forte, novo, assinado e seu sobrenome é Van Sant. Ao mesmo tempo em que o diretor faz homenagens aos cineastas que permitiram o surgimento do cinema tal qual o conhecemos hoje, com não raras referências a Hichcock e Fellini, há uma forte veia criativa e inovadora. Van Sant, também diretor de Elefante (2003), faz a opção por uma montagem irregular, que desconstrói o tempo e o espaço, reproduzindo o processo de funcionamento de lembranças, também fragmentadas, incompletas e obscuras.
Não é apenas por meio da montagem que reconhecemos Van Sant. Em Paranoid Park a câmera está viva, e temos constante certeza disso. Neste filme, ela nunca está onde tradicionalmente estaria. Ela é incômoda e voa, perseguindo os personagens pelas costas. Pai, mãe e tio nos são apresentados, antes pelo som do que pela lente, ou por enquadramentos que recortam e introduzem primeiro os corpos e depois a cabeça às cenas. Os closes privilegiados em Alex e a exclusão da imagem de sua família- com exceção de seu pequeno irmão-, retratam o seu isolamento e solidão.
Finalmente, seguindo os passos de mestres como Antonioni, Gus Van Sant coloca em seu cinema algo elementar para outras épocas da cinematografia, mas um tanto incomum nos dias de hoje. O tempo. Planos longos e lentos, combinados com as imagens (em velocidade diminuída) de skatistas, feitas em super-8, permitem a reflexão, sobre o drama pessoal do adolescente, que mistura confusão, culpa, timidez, solidão, com o pertencimento seu grupo. Na sua vertigem de sentimentos, Alex se aliena do contexto em que vive e nós, mergulhados em sua consciência, somos absorvidos por sua vida e nos tornamos ignorantes como ele. Mais do que tudo isso, o tempo convida o espectador a observar, pensar e degustar todo este trabalho estético, que é percebido e saboreado mesmo por quem não entende de técnica. Particularmente, a última vez em que vi traços autorais e propostas inovadoras representativas foi no interessante Em Busca da Vida (2006), de Jia Zhang Ke. Paranoid Park é uma boa pedida para os cinéfilos desesperados por pessoas que façam e pensem o cinema.
Ah que bom! Ouviu os pedido e também entrou para a tal blogosfera
Pode deixar que visitarei sempre, principalmente porque sei que brevemente vai aparecer algum(ns) post(s) sobre… Lost! rs.
Já tinha comentado o texto com você…
Fiquei com muita vontade de assistir!
Depois voltarei aqui pra comentar o que achei então…
Ahhhhh essa é a minha menina =)
Nem preciso dizer q frequentarei assiduamente este espaço virtual e comentarei sempre…pq sou fã dos seus textos.
Ah, e Paranoid Park já está na lista dos próximos a serem assistidos.
Bjãooo querida
Se você me prometer que em um dos seus posts você vai escrever sobre Pickpocket, do Jia, eu prometo que toda noite eu venho tomar um café por estas bandas.
beijao
uau!
isso é tudo o que digo…
Paranoid Park é sublime, me proporcionou sensações que são comparáveis apenas às que tive em Império dos Sonhos do Lynch. Extasiante, quero ver d novo e rápido, to viciada e em transe.
E preciso escrever sobre ele.