Ao que parece março terá dois fatores inusitados nas estréias do mês.
Em primeiro lugar, é importante notar que tem muito filme brasileiro chegando às telonas. Acho que 2008 vai ser um ano bem recheado de filmes nacionais.

Laís Bodanzky vem com o Chega de saudade, que está anunciado há tempos, para criar uma ficção sobre uma noite de freqüentadores de um baile de terceira idade, na cidade de São Paulo. Já Serras da desordem é um documentário de Andrea Tonacci baseado na vida de Carapirú, um índio que sobreviveu a um ataque a sua tribo e tornou-se um nômade, desaparecido pelas terras do país, até que, 10 anos depois, na tentativa de ser identificado, reencontra seu filho. Um filme com características bem antropológicas, pode abrir espaço para refletir sobre o indivíduo e seu lugar na sociedade. Juízo discute sobre os jovens, a criminalidade e as punições. Vale a pena notar que, como identificar jovens infratores é proibido, os meninos filmados não estão, na realidade, nas condições apresentadas, embora vivam de forma semelhante. Ao mesmo tempo, as outras são pessoas reais, em atividades reais.
Já O Fim da linha, com a sua chuva de dinheiro no centro de São Paulo, vincula os vários núcleos de personagens (políticos, índios, catadores de papel e outros) apresentados e Ainda orangotangos, um plano-seqüência (sim, é isso mesmo, um plano-seqüência) que conta em 81 minutos as 14 horas de quinze personagens que circulam por Porto Alegre (olha só, mudamos o cenário, saímos dos sertões e do eixo Rio-São Paulo). Ufa!
O outro fenômeno ao qual me referi é a chacina aos presidentes norte-americanos. Como assim? Simples. Há duas estréias previstas para matar o tal presidente. O primeiro é uma produção britânica, que combina características documentais e ficcionais para falar sobre A morte do presidente George W. Bush. A história parte do assassinato deste Bush por um franco-atirador, quando saía de um hotel de Chicago. Foi eleito o melhor filme pela crítica lá no Festival de Toronto. O segundo, Ponto de vista, descreve o incidente do assassinato do presidente (ao que parece não é de um presidente específico, mas vale ver para conferir se há dicas sobre a política econômica, de segurança nacional e assim vai). E para quem cansou de ver Mattew Fox como Jack, do seriado “Lost, pode ver a sua atuação finalmente num longa. No entanto, acho que quem brilhará mesmo será Forest Whitaker, do Último rei da escócia. Coincidência ou não, presidentes norte-americanos já foram muito assassinados nos cinemas. Algum motivo casual para dois roteiros semelhantes surgirem agora, numa mesma época? Não digo que estes dois filmes sejam promessas, ou sejam ruins, mas alimentam a reflexão anterior. Ficam as dicas para pensar.
Mais uma coincidência. Bod Dylan chega ao Brasil nas versões carne-e-osso e “película. Isso por que o músico fará shows hoje e amanhã no Via Funchal, além de outros no Rio de Janeiro e, não suficiente, há boatos de que a prefeitura de São Paulo quer fazer um acordo para um mega-show de Dylan, de graça, para um público nada pequeno. No cinema, ele esterá representado pelo filme I’m not there (Não estou lá), uma biografia muito inovadora em que diversos atores (entre eles, Christian Bale, Cate Blanchett e o jovem Heath Ledger, recém falecido) farão o papel de Dylan, nas várias fases da sua vida- ver a foto lá de cima. A proposta não é contar ipsis literis a vida do cantor, mas digamos assim, fazer uma adaptação para as telas. Quem já viu pode ter achado confuso, mas a impressão é de fragmentar e enriquecer ainda mais esta vida recortada. Alguma opinião?
Ah, e finalmente, o prometido Cada um com seu cinema, previsto para o mês passado, poderá ser visto já esta semana. Depois de tudo isso, só pegando um cineminha para conferir o que realmente há de bom rolando.
Meu preferido é “Cada Um Com Seu Cinema” e “Chega de Saudade” =)
Mas gostei da idéia do documentário “matar” George Bush. Demorou para os Estados Unidos fazerem filmes decentes pra discutir a política do país.
Muito bom estes seus posts de estréias. =)
Super úteis.