
E começa abril, um mês que promete, pelo menos para nós, cinéfilos de plantão. Preparem os corações para aguardar as estréias que vem por aí. Por trás dos títulos prometidos para este mês temos, nada mais nada menos que Scorsese, Gondry, Amos Gitai e uma lista bem recheada de brasileiros. Pipocas estouradas, vamos ao que interessa.
A grande espera é, obviamente por Shine a Light (clique para ver o trailer no próprio site, com qualidade impecável). Motivos para o alarde não faltam. Scorsese no cinema, em documentário sobre, nada mais, nada menos que uma das maiores bandas de rock da história, que completa 45 anos de carreira. Rolling Stones. A proposta é simples, filmar duas apresentações da banda. Mas algo me diz que bastidores e palco desta experiência não podem passar desapercebidos por ninguém. A qualidade da imagem é assustadora, a luz está perfeita e faz brilhar ainda mais a trajetória da banda, condensada neste documentário-show. Sugiro fortemente que você pegue aquele guia recém-lançado, com as melhores salas de cinema da cidade e faça a sua seleção. Leve em conta a qualidade da tela e do som desta vez, mesmo que para isso você tenha que dar um pulinho naquelas filas de shoppings. O esforço valerá a pena. Ainda não vi o filme, mas o trailer foi suficiente para empolgar até quem não tem as músicas na ponta da língua.
Amos Gitai, diretor israelense do belo Free Zone, retorna às telas brasileiras com o longa A Retirada (quem pode asssitir, viu um curta seu no filme Cada Um Com Seu Cinema, ainda em cartaz por aqui). Mais uma vez, o diretor olha para a sua terra de origem e faz um filme refletivo a partir da história do reencontro de dois irmãos para o funeral do pai, na França. O conteúdo do testamento obriga Ana e seu meio-irmão a voltarem para Israel e reencontrarem o passado e presente de suas vidas e da realidade sócio-política do país. Com Juliette Binoche.
E só para me deliciar, já que estou debruçada sobre o cinema brasileiro, mais e mais estréias nacionais vem chegando. O primeiro que gostaria de comentar é o filme Estômago, do estreante Marcos Jorge. Baseado em um livro, conta como o cotidiano e os planos de prisioneiros muda com a chegada do companheiro de cela Raimundo, um cozinheiro de mão cheia. O trailer me pareceu muito interessante e o filme já andou sendo premiado por aí. Os veteranos Carlos Reichenbach e Walter Lima Jr. estréiam com a Falsa Loura e Os Desafinados, respectivamente. Reichenbach segue falando sobre as proletárias de fábricas em seu novo filme, que pode gerar pré-julgamentos pelo seu elenco. O filme de Walter Lima Jr., que ficou quase 10 anos sem lançar longas, trabalha com passado e presente, cinema e música, com referências ao Cinema Novo e a Bossa Nova. Os Desafinados me parece tão poético e fragmentado como seu A Ostra e o Vento. Como o próprio diretor afirma, para a revista IstoÉ online, “bateu a necessidade de falar de Brasil, de assumir um olhar mais politizado sobre o que eu vi – sem rancor, com humor, sem estar esvaziado ou melancólico”. Nem preciso dizer que voltarei para dar mais espaço para ele, não?
ah rolling stones, ah sexta-feira que não chega pra eu ver o dito cujo..se estiver livre nesse fim de semana, vamos ver um desses…bjos.