Impressões cinematográficas
Abril 22, 2008 de camilafink

Sessão de sexta-feira à noite, no Cinesesc, um dos melhores cinemas da cidade de acordo com os guia semanais dos mais bojudos jornais. Passada uma hora de filme, a tela se apaga, as luzes acendem. Inversão de papéis? Os personagens desaparecem e a platéia se torna protagonista. Típica situação de Saramago….
Onde foi parar aquele universo? O interrogatório das autoridades? O menino sem melhores perspectivas de vida?
Silêncio.
Constrangimento. O moço grisalho e careca sai em busca de alguém uniformizado. O casal aproveita para namorar. Os amigos planejam o próximo programa. As amigas abandonam as queixas e se concentram em comentários sobre o filme. Marido e mulher aproveitam para tomar um café- mestre de cerimônias dos intervalos não preenchidos.
Olho para cima. O técnico está trabalhando com a película, que depois fiquei sabendo que arrebentou. Queria subir, queria tê-las em minhas mãos. Só então lembrei dos avisos na bilheteria. As cópias podem apresentar defeito. Cópias. Defeitos. Defeitos. As luzes se apagam, os personagens e rostos conhecidos voltam. Silêncio. E tudo volta ao normal.
Foi assim que me descobri pensando o que é o cinema sem vida. O que é o cinema sem a luz, sem o movimento, sem a platéia e sem a viagem dentro de cada nova história. O cinema seria nada. E eu, no desespero de ter deixado todo aquele mundo ficcional escapar pelas minhas mãos, também nada seria.
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Santiago.
O que é Santiago? É um filme sobre um homem, seu tempo e sua vida, sobre seu isolamento e as amizades de papel. É um filme sobre João Moreira Salles, sobre a sua biografia, sua família e suas memórias. É um filme sobre hierarquias e jogos de poder. Talvez isso seja pouco, e o que importe mesmo seja a melancolia, a coragem e a maturidade. O movimento de João Moreira Salles é raro. Em geral, muito se faz, ou se tenta fazer, e pouco se reflete. E quando filmes muito interessantes são comentados por seus diretores, vem a decepção. Nem eles mesmos sabem o poder e a importância dos seus trabalhos. Pensando o cinema brasileiro, desde suas origens até hoje, sinto que talvez seja este um dos filmes mais importantes da nossa cinematografia, porque ele foi pensado, digerido, regurgitado, re-pensado. Ele-o filme e o diretor- teve seu tempo. O tempo, “És um dos deuses mais lindos”!
bonito o texto…o cinesesc é um dos raros em que o filme arrebenta e ninguém fica gritando…precisamos marcar um filme lá…
santiago me disseram q era quase um filme só sobreo o mordomo do m. salles…vai saber, agora também perdi..
bjo bonita