Lembro-me como se fosse ontem. Um fantástico espetáculo sobre música e cinema no Theatro Municipal de São Paulo. Não sei ao certo há quanto tempo ocorreu, mas lembro da força e beleza do evento. A orquestra acompanhando trechos dos filmes projetados num telão. Diria que é um dos melhores casamentos: cinema e música clássica. Talvez pela própria semelhança da estrutura entre ambos, regidos cada qual pelo seu maestro. Um para imagens, outro para o som. E quando a parceria é certeira, não há como falhar. Algumas músicas são apenas trilhas sonoras, ficam lá no fundo e quase ninguém nota. É o caso da maioria. Outras, são bem mais elaboradas e compostas especialmente com um diálogo com o diretor, com o roteiro do filme prontinho. Hoje vou falar apenas de um exemplo.
Em Três Homens em Conflito (1966), a combinação da direção de Sergio Leone com as composições de Ennio Morricone é impagável. O filme conta a história de Blondie (Clint Eastwood), Tuco (Eli Wallach) e Angel Eyes (Lee Van Cleef), respectivamente o Bom, o Mau e o Feio- do título em inglês “The Good, The Bad and the Ugly”. Os primeiros dez minutos são tudo o que não imaginava num western e só depois de outros vinte minutos de belas fotografias e poucos diálogos conhecemos os três personagens. Aliás, não me recordo de uma introdução tão boa quanto esta. A história da corrida destes trio atrás de uma fortuna escondida tem a Guerra Civil americana como pano de fundo. São esses os elementos para um western repleto de cenas sensacionais. Uma das melhores é duelo a três da seqüência final (sugestão, se você for daqueles que não gostam de saber o final da história antes, nem tente procurar sobre, veja o filme e aguarde o final). Ou ainda, aquela em que o lacônico Blondie acende um pavio de canhão com seu cigarro. Lembrei de uma cena de A Lenda do Pianista do Mar (cuja trilha também é do Ennio Morricone), em que um cigarro é aceso nas cordas de um piano, após um duelo de pianistas….dá arrepios!
Mas como estou falando sobre música, nada melhor do que mostrar uma cena em que ela é tão protagonista quanto o personagem. Desta vez, Tuco, o feio, está em um cemitério. Com a música “The Ecstasy of Gold” (detalhe: ela é tocada integralmente), o trecho ganhou ainda mais força! Confira você mesmo, só para ficar com o gostinho de assistir o filme. E guarde seus preconceitos, para não fazer como eu e morder a língua depois de tanto mal dizer os westerns.
Ennio Morricone fez composições e arranjos para centenas de filmes e a lista de prêmios dele é muito, muito extensa. Daria para fazer um post por dia sobre suas contribuições musicais para os filmes, renderia assunto para mais de ano. Vale dizer o mesmo sobre Leone e a trilogia da qual o filme citado faz parte. Por enquanto, acho que está de bom tamanho. Na minha próxima passagem vou comentar sobre outras músicas, que não foram feitas especificamente para os filmes, mas que foram brilhantemente incorporadas a eles.
***O post de hoje é uma homenagem a um amigo meu que me abriu os olhos para tudo o que foi discutido aqui sobre o filme, Clint, Leone, o western spaghetti (como também são conhecidos filmes do gênero feitos por diretores italianos) e, claro, me inspirou para pensar um pouco sobre o tema da música e do cinema.

mais filme pra ver…a lista aumenta e não diminui nunca…um tempo atrás, acho que na mostra, teve o encouraçado potenkim com uns músicos tocando junto…também acho um puta casamento dessas linguagens…
bjos.
Realmente esse filme é demais!Ennio Morricone é um gênio.Os outros dois filmes da série também tem ótima trilha.pode conferir!