“Dentro de algumas centenas de anos, neste mesmo lugar, outro viajante, tão desesperado quanto eu, pranteará o desaparecimento do que eu poderia ter visto e que me escapou. Vítima de uma dupla inaptidão, tudo o que percebo me fere e reprovo-me em permanência não olhar o suficiente.” (Tristes Trópicos)
Com o perdão do trocadilho, guardo aqui comigo o espaço para uma pequena homenagem a este grande pensador. Claude Lévi-Strauss morreu, no último sábado, dia 31 de outubro, às vésperas de completar 101 anos e já deixa saudade. Ele, que tanto me encantou com as mitologias de O Cru e O Cozido e que me seduziu com títulos como Do Mel às Cinzas e Tristes Trópicos, obra prima que devorei com gosto. A propósito da saudade, fica abaixo uma tocante passagem, de Saudades de São Paulo.
“Se, no título de um livro recente, apliquei ao Brasil (e a São Paulo) o termo ‘saudade’, não foi por lamento de não mais estar lá. De nada me serviria lamentar o que após tantos anos não reencontraria. Eu evocava, antes, aquele aperto no coração que sentimos quando, ao relembrar ou rever certos lugares, somos penetrados pela evidência de que não há nada no mundo de permanente nem de estável em que possamos nos apoiar.”