“As melhores coisas do mundo”, de Laís Bodanzky, orienta-se sobre a vida da classe média dos centros urbanos. Diferente do filme de Esmir Filho, “Os famosos e os duendes da morte”, cujo tema principal também é a adolescência, este longa usa uma linguagem convencional para discutir a homofobia, o esfacelamento do núcleo familiar tradicional e as aflições típicas desta fase da vida.
Os filmes também convergem com “Antes que o mundo acabe”, de Ana Luiza Azevedo, na medida em que a vida dos protagonistas é permeada pela virtualidade. No filme de Laís, a internet e o celular entram como vilões, mas assumem um papel de formas importantes de sociabilidade e de sobrevivência, como será o caso representado pelo desenvolvimento da história do coadjuvante Pedro.
Interessante observar que os irmãos protagonistas condensam uma polaridade evidente. Mano (Francisco Miguez) luta para conquistar o que quer, em qualquer esfera da sua vida, atuando ativamente também em sociedade. Pedro (Fiuk) aos poucos vai pelo escapismo individual, afastando-se do convívio social. Outro momento que se destaca é a situação quase non sense em que Mano conta à amiga que seu pai é homossexual e ela responde com um “e daí, o meu é antropólogo”, em um diálogo que diz muito sobre a relação de amizade e até da reação que temos diante das coisas.
A direção é excelente, mas o roteiro de Luís Bognolesi poderia se afastar dos clichês de colégio particular, tão comuns em novelas e seriados americanos; dos jovens comportados, distantes das drogas; e da divisão do mundo dicotômica entre o bem e o mal. Mesmo assim, o espectador sente-se identificado com o universo retratado e faz um mergulho prazeroso no filme e em suas memórias, de curto ou longo-prazo, dependendo da sua idade.

Gostei bem mais desse que “Os Famosos e os Duendes da Morte”, que sem dúvida é um bom filme, mas que me pareceu um tanto arrastado em alguns momentos. O saldo desse da Laís Bodanzky é melhor, porém o interessante a ser notado aqui é o diferencial de ambos em relação a outras obras da produção nacional. Muito bom ver temáticas diferenciadas ganharem maior destaque.
São filmes que retratam uma adolescência de forma cuidadosa, atraves de temas interessantes, gostei muito de “Os Famosos Duendes da Morte”.
Tenho esse dvd, mas acredita que nunca vi? Tenho que reparar essa injustiça.
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