
Eu não quero voltar sozinho ficou entre os 10 favoritos do público na 21º Festival Internacional de Curtas-Metragens de São Paulo, em 2010. Agora, está sendo perseguido, foi censurado no Acre no início do mês. O motivo é a temática homossexual. Selecionado para o programa Cine Educação- parceira com a Mostra Latino-Americana de Cinema e Direitos Humanos-, deveria levantar uma discussão a respeito da inclusão, do respeito às diferenças e contribuir para expandir horizontes contra o preconceito.
O curta do diretor e roteirista Daniel Ribeiro conta a história de Leonardo (Guilherme Lobo), um adolescente cego e seus relacionamentos na escola. É com muita delicadeza que o espectador acompanha as tensões à flor da pele, que acontecem não apenas na adolescência, por meio da relação de carinho de Giovana (Tess Amorim), que diariamente acompanha Leonardo até a sua casa. Entre estes dois colegas de intervalos, de conversas e trabalhos de escola, uma primeira barreira do politicamente correto é ultrapassada: a da inclusão. Este trajeto é feito sem clichês ou pieguices. Tão sutil quanto esta amizade – e o sentimento não correspondido da menina – é o envolvimento de Leonardo e do novo amigo Gabriel, recém chegado à turma. Uma pérola do curta-metragem recente brasileiro, que escapa aos bons mocismos e coloca realmente em questão a humanização dos personagens que não são construídos para dar lições de moral, mas sim para discutir elementos fundamentais na sociedade contemporânea.
Café com leite, outro filme de temática homossexual do diretor também foi muito premiado e conquistou o Urso de Cristal do Festival de Berlim. A linguagem utilizada neste outro curta é semelhante à de Eu não quero voltar sozinho, sem experimentações estéticas. A filmografia de Daniel Ribeiro é assim: diz muito, falando pouco.
Vale muito a pena assistir ao filme. Quem quiser acompanhar o caso mais a fundo, pode ficar de olho nas informações divulgadas pelo blog Curta Kinoforum. O filme está disponível na íntegra na internet, inclusive com uma versão com closed caption (recurso de legendagem).
Se preferir, até o final do mês é possível conferir estes dois e outros filmes no Curta Cinemateca de junho, que tem a programação especifica sobre Diversidade Sexual.
O curta é leve, doce, maravilhoso. Mas ainda assim é pouco para sensibilizar certas mentes. Seu histórico de prêmios e aclamação o precede, felizmente.