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	<title>Inquietações do Cinema (ou Lente de Contato)</title>
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	<description>Cultura, café e pipoca</description>
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		<title>Inquietações do Cinema (ou Lente de Contato)</title>
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		<title>Um poema de imagens</title>
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		<pubDate>Mon, 23 Nov 2009 19:31:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Camila Fink</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Daniel, cineasta de &#8220;O Pão dos Anjos&#8221;, dá seus primeiros passos no cinema. E,inevitavelmente, carrega consigo o peso de ser filho de outro diretor, Andrea Tonacci. Isso, no entanto, não impediu que ele criasse um filme autêntico e autoral. No seu curta-metragem ele recorre ao que o cinema tem de mais poderoso: falar por meio [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=camilafink.wordpress.com&blog=2681610&post=314&subd=camilafink&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p style="text-align:justify;">Daniel, cineasta de &#8220;O Pão dos Anjos&#8221;, dá seus primeiros passos no cinema. E,inevitavelmente, carrega consigo o peso de ser filho de outro diretor, Andrea Tonacci. Isso, no entanto, não impediu que ele criasse um filme autêntico e autoral. No seu curta-metragem ele recorre ao que o cinema tem de mais poderoso: falar por meio de imagens. Não há diálogos, os efeitos e a trilha sonora são praticamente inexistentes e as vozes dos personagens ficam em off, declamando versos que refletem os sentimentos do casal de protagonistas.</p>
<p style="text-align:justify;">Desde o início, há presença de um foco desajustado que produz uma profusão de cores e imagens difusas. Com esse efeito, encobre-se a intitmidade amorosa vivida por Ele e Ela com uma atmosfera delicada e nada vulgar. Outro resultado dessa opção estética é a concretização da nossa capacidade de relembrar fatos. Assim como a inquieta câmera, nossa memória também reconstrói o passado com dificuldade, cheio de vultos e silhuetas que ficam impressos na nossa lembrança. Costurando essa belas imagens há muitos silêncios, representando o estado de reflexão e imersão em si mesmos em que estão os personagens.</p>
<p style="text-align:justify;">Para produzir toda essa poesia, o filme se inspira em Manoel de Barros, o poeta dos textos de doce de côco, como disse Guimarães Rosa. Coincidência ou não, o curta também guarda uma leve semelhança com &#8220;Asas do Desejo&#8221;, de Win Wenders, na medida em que retrata um estranhamento de estar no mundo e de medir a importância das coisas pelo encantamento por elas gerado. O resultado é um filme metafórico, belo e sensível. Daniel, 24 anos, já brilhou como produtor de outros filmes premiados e agora empresta seu talento especialmente ao seu primeiro trabalho, inaugurando uma obra com personalidade.</p>
<p style="text-align:justify;">&#8220;O Pão dos Anjos&#8221;, de Daniel Tonacci.<br />
Brasil (SP)<br />
13´, cor, 35 mm, 2009</p>
<p style="text-align:right;">Texto publicado originalmente no suplemento Crítica Curta, do 20° Curta Kinoforum</p>
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		<title>Trópicos tristes</title>
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		<pubDate>Wed, 04 Nov 2009 00:39:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Camila Fink</dc:creator>
				<category><![CDATA[Café (outros)]]></category>

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		<description><![CDATA[&#8220;Dentro de algumas centenas de anos, neste mesmo lugar, outro viajante, tão desesperado quanto eu, pranteará o desaparecimento do que eu poderia ter visto e que me escapou. Vítima de uma dupla inaptidão, tudo o que percebo me fere e reprovo-me em permanência não olhar o suficiente.&#8221; (Tristes Trópicos)
Com o perdão do trocadilho, guardo aqui comigo [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=camilafink.wordpress.com&blog=2681610&post=335&subd=camilafink&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p style="text-align:right;">&#8220;Dentro de algumas centenas de anos, neste mesmo lugar, outro viajante, tão desesperado quanto eu, pranteará o desaparecimento do que eu poderia ter visto e que me escapou. Vítima de uma dupla inaptidão, tudo o que percebo me fere e reprovo-me em permanência não olhar o suficiente.&#8221; (<em>Tristes Trópicos</em>)</p>
<p style="text-align:justify;">Com o perdão do trocadilho, guardo aqui comigo o espaço para uma pequena homenagem a este grande pensador. <a href="http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0034-77011999000100005" target="_blank">Claude Lévi-Strauss</a> morreu, no último sábado, dia 31 de outubro, às vésperas de completar 101 anos e já deixa saudade. Ele, que tanto me encantou com as mitologias de <em>O Cru e O Cozido</em> e que me seduziu com títulos como <em>Do Mel às Cinzas</em> e <em>Tristes Trópicos</em>, obra prima que devorei com gosto. A propósito da saudade, fica abaixo uma tocante passagem, de <em>Saudades de São Paulo</em>.</p>
<p style="text-align:justify;">“Se, no título de um livro recente, apliquei ao Brasil (e a São Paulo) o termo ‘saudade&#8217;, não foi por lamento de não mais estar lá. De nada me serviria lamentar o que após tantos anos não reencontraria. Eu evocava, antes, aquele aperto no coração que sentimos quando, ao relembrar ou rever certos lugares, somos penetrados pela evidência de que não há nada no mundo de permanente nem de estável em que possamos nos apoiar.”</p>
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		<title>De curta em curta&#8230;</title>
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		<pubDate>Sun, 06 Sep 2009 19:55:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Camila Fink</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Durante oito dias fiquei literalmente imersa em curtas-metragens. Acompanhada algumas vezes, sozinha em outras. Entre a correria de atravessar a cidade para conseguir pegar uma ou duas sessões em sequência, pensei muito sobre o fazer cinematográfico. Para quem teve essa mesma rotina que eu ou para quem apenas apreciou alguns dos mais de 400 curtas, o saldo da [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=camilafink.wordpress.com&blog=2681610&post=307&subd=camilafink&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Durante oito dias fiquei literalmente imersa em curtas-metragens. Acompanhada algumas vezes, sozinha em outras. Entre a correria de atravessar a cidade para conseguir pegar uma ou duas sessões em sequência, pensei muito sobre o fazer cinematográfico. Para quem teve essa mesma rotina que eu ou para quem apenas apreciou alguns dos mais de 400 curtas, o saldo da <a href="http://www.kinoforum.org.br/curtas/2009/index.php?idioma=1" target="_blank">20a edição do Festival Internacional de Curtas de São Paulo (Curta Kinoforum)</a> foi altamente positivo. A sensação de correr de um cinema para o outro, de assistir e desconstruir cada filme em poucos minutos e depois fazer surgir um texto em pouquíssimo tempo é única. E depois, ver o meu trabalho materializado no tablóide e comentado pelos organizadores da oficina foi, no mínimo, gratificante.</p>
<p>Quem perdeu o Festival ainda pode assistir aos filmes disponibilizados online (<a href="http://www.portacurtas.com.br/recomendados.asp?IdRecomendado=145" target="_blank">aqui</a>) e que concorreram ao prêmio Porta Curtas. Os filmes vencedores foram &#8220;<a href="http://www.portacurtas.com.br/Filme_abre_pop.asp?Cod=2883&amp;Exib=3191" target="_blank">Divino, De repente</a>&#8221; e &#8220;<a href="http://www.portacurtas.com.br/Filme.asp?Cod=8889" target="_blank">Ana Beatriz</a>&#8220;. Ambos também apareceram na lista de curtas mais votados pelo público, assim como outros que não estão na internet. Logo mais apareço para comentá-los.</p>
<p>É isso que eu quero para a vida. Respirar, ver, cheirar, tatear e sentir o gosto do cinema a cada dia. As minhas resenhas podem ser lidas no tablóide do Festival, ou aqui, onde disponibilizarei em breve. E daqui pra frente, aguardem meus textos no <a href="http://blog.kinoforum.org.br/" target="_blank">Blog do Crítica Curta</a>. Benvindos ao mundo do curta-metragem.</p>
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		<item>
		<title>Arabesco recorre ao fantástico universo de Borges e Poe</title>
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		<pubDate>Sat, 08 Aug 2009 01:11:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Camila Fink</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Esse ano o Crítica Curta será diferente, como diz o próprio site do Kinoforum. Nesta edição, todos os interessados em crítica cinematográfica puderam participar, diferente dos anos anteriores em que apenas alunos de audiovisual e comunicação podiam se inscrever. Os candidatos participaram de uma oficina no MIS, uma com Sérgio Rizzo e outra com Christian [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=camilafink.wordpress.com&blog=2681610&post=297&subd=camilafink&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p style="text-align:justify;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:verdana, sans-serif;">Esse ano o Crítica Curta será diferente, como diz o próprio site do <a href="http://www.kinoforum.org.br/curtas/2009/noticias.php?n=341&amp;idioma=1" target="_blank">Kinoforum</a>. Nesta edição, todos os interessados em crítica cinematográfica puderam participar, diferente dos anos anteriores em que apenas alunos de audiovisual e comunicação podiam se inscrever. Os candidatos participaram de uma oficina no MIS, uma com Sérgio Rizzo e outra com Christian Petermann e depois enviaram um texto sobre um dos curtas exibidos. Os selecionados, escolhidos pelo editor do tablóide do festival, jornalista e crítico de cinema Sérgio Rizzo, escreverão para o material de publicação do 20° Curta Kinoforum-Festival Internacional de Curtas-Metragens de São Paulo, que ocorrerá entre os dias 20 e 28 de agosto. Outra novidade é que a autora deste blog foi uma das selecionadas, com o texto abaixo, para fazer parte da equipe de 27 &#8220;críticos&#8221;.</span></span></p>
<p style="line-height:.58cm;text-align:justify;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:verdana, sans-serif;"><br />
</span></span><span><strong><span style="font-size:small;"><span style="font-family:verdana, sans-serif;"> Arabesco recorre ao fantástico universo de Borges e Poe </span></span></strong></span></p>
<p><span><em><span style="font-size:small;"><span style="font-family:verdana, sans-serif;"> Curta de Eliane Caffé antecipa pistas sobre longas da diretora</span></span></em></span></p>
<p style="text-align:justify;">A paulistana Eliane Caffé tem uma breve, mas reconhecida carreira como cineasta. Começou a produzir em meados da década de 80, assim como Tata Amaral e Beto Brant, e já no seu segundo curta-metragem, a diretora, roteirista e psicóloga por formação, deixava sinais do que seriam alguns elementos dos seus longas.</p>
<p style="text-align:justify;">Em <a href="http://www.portacurtas.com.br/Filme.asp?Cod=99" target="_blank">Arabesco</a> (1990), dois assaltantes, vividos por Jonas Bloch e Alfredo Damiano, invadem um escritório sem portas e janelas, que guarda manuscritos e antiguidades, e no qual coisas misteriosas acontecem. Inconformados com a inexistência de um cofre, começam a vasculhar tudo na inútil busca por uma saída.</p>
<p style="text-align:justify;">O filme foi produzido em pleno governo Collor, momento de sufocamento econômico-social, gerado pelo confisco de bens, e de início da crise de produção cinematográfica, com a extinção da Embrafilme. Não havia muitas saídas para a população. Neste sentido, Arabesco representa o contexto histórico do país e seus personagens encarnam duas soluções, o escapismo individual ou uma tentativa de acomodação.</p>
<p style="text-align:justify;">O filme, porém, ultrapassa esta leitura. Como a própria palavra indica, arabesco é um conjunto de elementos que se repetem em um padrão infinito. Assim também é o único cenário do filme. Apesar de parecer restrita àquele ambiente claustrofóbico, a sala está em um espaço-tempo circular e sem fim. Este mundo fantástico se assemelha às obras de Jorge Luiz Borges, como no conto sobre a interminável Biblioteca de Babel. Impossível não lembrar também da Queda da Casa de Usher, de Edgar Allan Poe, na medida em que um dos ladrões começa a se identificar com aquele estranho lugar. Assim como Roderick Usher representa a decadência da sua casa, o personagem de Jonas Bloch se afetua a certos objetos como a um astrolábio, reconhece em um mural a fotografia de uma mão praticamente igual à sua e, em desenhos, a situação que está vivendo. Suas expressões são marcadas pelo medo de que alguma verdade venha à tona, tal como no conto de Poe, também carregado de símbolos e oposições entre o real e a ficção.</p>
<p style="text-align:justify;">Estes elementos são retomados na obra de Eliane Caffé, em filmes com registros mais realistas e menos fantasiosos. Seu curta <a href="http://www.portacurtas.com.br/Filme.asp?Cod=233" target="_blank">Caligrama</a> (1995) discute a situação dos moradores de rua, os “sem-lugar” da sociedade. Kenoma (1998), seu primeiro longa, foi inspirado em Ruínas Circulares, de Borges, e fala sobre a criação de uma máquina que funcione em moto-contínuo, mantendo um eterno movimento em oposição ao estagnado pequeno povoado que dá nome ao filme. Já em Narradores de Javé (2003), a população de uma cidade prestes a ser devastada pela construção de uma hidrelétrica decide documentar suas histórias, para que as memórias se preservassem, mesmo que o território se perdesse. Arabesco antecipa a problemática tempo-espacial em apenas 15 minutos, arrebatando diversos prêmios, entre eles cinco troféus no Festival de Gramado de 1990.</p>
<p style="text-align:justify;">ARABESCO, de Eliane Caffé.<br />
Brasil, Fic, cor, 35 mm, 1990</p>
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		<title>A Festa da Menina Morta e a cultura brasileira</title>
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		<pubDate>Wed, 08 Jul 2009 12:04:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Camila Fink</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Uma temática comum em diversas obras do cinema nacional contemporâneo é a vida urbana e a relação asfalto-morro. Fora do eixo Rio-São Paulo, destaca-se a produção sobre o chamado “Brasil profundo”, do qual o sertão é quase sempre o protagonista. Nesta busca pela identidade brasileira, a filmografia nacional ganha agora A Festa da Menina Morta, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=camilafink.wordpress.com&blog=2681610&post=291&subd=camilafink&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p style="text-align:justify;"><img class="aligncenter size-full wp-image-290" title="a_festa_da_menina_morta" src="http://camilafink.files.wordpress.com/2009/07/1218565106_a_festa_da_menina_morta.jpg?w=500&#038;h=313" alt="a_festa_da_menina_morta" width="500" height="313" />Uma temática comum em diversas obras do cinema nacional contemporâneo é a vida urbana e a relação asfalto-morro. Fora do eixo Rio-São Paulo, destaca-se a produção sobre o chamado “Brasil profundo”, do qual o sertão é quase sempre o protagonista. Nesta busca pela identidade brasileira, a filmografia nacional ganha agora <em>A Festa da Menina Morta</em>, obra centrada na região Norte, especificamente na Amazônia.</p>
<p style="text-align:justify;">Santinho, representado de forma naturalista por Daniel de Oliveira em uma de suas melhores atuações, é uma espécie de ídolo messiânico, um Antônio Conselheiro de uma pequena comunidade ribeirinha do interior do norte brasileiro. Foi santificado ainda criança, quando um cachorro entregou-lhe os restos do vestido de uma menina desaparecida. Desde então ele recebe tratamentos especiais pela sua suposta divindade e, em homenagem à Menina Morta, é feita uma festa anual, que já acontece há vinte anos. Nesta ocasião, ele divulga as previsões feitas pela Menina para o ano.</p>
<p style="text-align:justify;">O personagem de Santinho, no entanto, é carregado de ambiguidade, a começar pela sua androgenia. É delicado e agressivo. Frágil e bruto. É luxurioso e profano, apesar de ser considerado superior pelo seu milagre. Assim como ele, a adoração pela Menina também é feita em um registro de dualismo. Ao mesmo tempo em que há diversos rituais sagrados- como a costura de um manto, coroas de flores, oferendas e banhos- a festa popular se torna espetáculo, quando ganha shows pirotécnicos, musicais e comércio de bebidas. Ao final, o mito começa a ser questionado pelo irmão da menina, Tadeu, que afirma que não houve milagre e que a menina havia realmente desaparecido ou sido morta. O próprio Santinho começa a se dar conta daquilo que construíram para ele. Destaca-se  para esta tomada de consciência  a cena do reencontro entre  filho e mãe, com Cássia Kiss na pele da mãe, e o discurso cheio de dor e humanidade feito por Santinho no final, durante a festa.</p>
<p style="text-align:justify;">Matheus Nachtergaele, ator de filmes como <em>Baixio das Bestas</em> (2007) e <em>Amarelo Manga </em>(2002), teve uma excelente estréia na direção. A inspiração em Cláudio Assis, que assina ambos os filmes citados é evidente, tanto no tema quanto na estética. Há referências ao Cinema Novo, com o uso de uma câmera inconstante e a presença de não-atores. O filme passeia pelo estetismo puro, pelo quase denuncismo, pelo registro dos documentários antropológicos e pela ficção. A fotografia de Lula Carvalho é escura, pesada e sufocante e, combinada ao ritmo lento e arrastado, causa incômodo no espectador. Ambígua também é a impressão do filme que fica no espectador, que fica exausto, mas ao mesmo tempo, permanece atento para compreender todo o folclore e a cultura presentes, manifestações tão longínquas do seu dia a dia nas grandes cidades.<em> A Festa da Menina Morta </em>foi selecionado para a mostra Un Certain Regard (Um Certo Olhar) do Festival de Cannes e marcou presença em festivais de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília, Chicago, Havana e Los Angeles.</p>
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		<title>Festival divulga cinema nacional no Canadá</title>
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		<pubDate>Thu, 02 Jul 2009 12:07:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Camila Fink</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Anualmente o BRAFFT &#8211; Festival de Cinema Brasileiro de Toronto leva um pouco da multiplicidade cultural brasileira ao Canadá, exibindo as produções cinematográficas nacionais e difundindo o cinema brasileiro para o mundo. Na terceira edição, que ocorrerá entre 4 e 8 de setembro, no Bloor Cinema, podem concorrer documentários e ficções em curta, média ou [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=camilafink.wordpress.com&blog=2681610&post=267&subd=camilafink&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p style="text-align:justify;"><img class="alignleft" src="http://www.cultura.gov.br/site/wp-content/uploads/2009/04/imagem1.bmp" alt="" width="268" height="271" />Anualmente o <a href="http://www.brafft.com" target="_blank">BRAFFT &#8211; Festival de Cinema Brasileiro de Toronto</a> leva um pouco da multiplicidade cultural brasileira ao Canadá, exibindo as produções cinematográficas nacionais e difundindo o cinema brasileiro para o mundo. Na terceira edição, que ocorrerá entre 4 e 8 de setembro, no Bloor Cinema, podem concorrer documentários e ficções em curta, média ou longa-metragem. Já as animações serão exibidas na <a href="http://www.upto3.ca/">UpTo3</a>, mostra paralela exclusiva para este gênero.</p>
<p style="text-align:justify;">Os filmes selecionados pela comissão concorrerão nas categorias de melhor filme, diretor, atriz e de melhor de público. Os vencedores ganharão um certificado, o troféu Golden Maple e prêmios em dinheiro, de quatro mil reais para os curtas, e seis mil para os longas. Fora da mostra competitiva, serão convidados dois filmes do do grande circuito. A curadoria é do jornalista e crítico de cinema Celso Sabadin.</p>
<p style="text-align:justify;">Para participar, é necessário se inscrever até o dia 5 de julho no site e enviar pelo correio uma cópia em DVD do filme, com legendas em inglês. A produção deve ter sido realizada no Brasil ou por co-produção, no exterior, e finalizada nos últimos dois anos. A inscrição é gratuita. Para quem não vai conseguir se entrar no festival este anoo, já pode finalizar seu filme e se preparar para o próximo. Em geral o evento ocorre no segundo semestre.</p>
<p style="text-align:justify;">O BRAFFT, primeira competição de produções exclusivamente brasileiras em solo canadense, dá aos cineastas brasileiros a oportunidade de divulgar seus trabalhos no exterior a custos baixíssimo, já que o único gasto é com o envio das cópias do DVD para a produção. Além disso, é uma plataforma de exibição de seus filmes lado a lado com produções famosas, como <em>Meu Nome Não É Johnny,</em> <em>Não Por Acaso</em> e <em>Querô</em>.</p>
<p style="text-align:justify;">O Festival também oferece, em parceria com a <a href="http://www.opyviagens.com.br" target="_blank">Opy Viagens</a>, um pacote exclusivo para estudantes interessados em trabalhar como voluntários durante o evento. A <a href="http://www.brafft.com/wp-content/uploads/2009/06/schedule-vivencia.pdf" target="_blank">programação</a> inclui passeios turísticos, trabalho na realização do Festival, palestras com cineastas canadenses e brasileiros e visitas aos estúdios. Ao final o voluntário recebe um certificado pela participação. O BRAFFT é realizado pelo <a href="http://www.institutocefac.org.br/">Instituto Cefac</a> e pelas produtoras <a href="http://www.puente.com.br/" target="_blank">Puente &#8211; Agência de Comunicação</a>, no Brasil, e  a <a href="http://www.southernmirrors.com/">Southern Mirrors</a>, no Canadá.</p>
  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/camilafink.wordpress.com/267/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/camilafink.wordpress.com/267/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/camilafink.wordpress.com/267/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/camilafink.wordpress.com/267/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/camilafink.wordpress.com/267/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/camilafink.wordpress.com/267/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/camilafink.wordpress.com/267/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/camilafink.wordpress.com/267/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/camilafink.wordpress.com/267/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/camilafink.wordpress.com/267/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=camilafink.wordpress.com&blog=2681610&post=267&subd=camilafink&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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		<title>Música para ver no 4º FestLatinoSP</title>
		<link>http://camilafink.wordpress.com/2009/07/01/continuacao-musica-para-ver-no-4%c2%ba-festlatinosp/</link>
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		<pubDate>Wed, 01 Jul 2009 12:02:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Camila Fink</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Como já citado no post do dia 17 de junho, o cinema nacional vem demonstrando interesse em registrar a música brasileira. As estréias deste semestre tem Caetano Veloso, Paulo Vanzolini, Wilson Simonal, Titãs, Arnaldo Baptista e Mamonas Assassinas como protagonistas. Já a segunda metade do ano promete não ser muito diferente. O post comentava sobre [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=camilafink.wordpress.com&blog=2681610&post=261&subd=camilafink&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p style="text-align:justify;"><img class="alignright size-full wp-image-262" title="Picture 1" src="http://camilafink.files.wordpress.com/2009/07/picture-1.png?w=171&#038;h=221" alt="Picture 1" width="171" height="221" />Como já citado no <a href="http://camilafink.wordpress.com/2009/06/17/musica-para-ver-documentarios-musicais-brasileiros/" target="_blank">post do dia 17 </a>de junho, o cinema nacional vem demonstrando interesse em registrar a música brasileira. As estréias deste semestre tem Caetano Veloso, Paulo Vanzolini, Wilson Simonal, Titãs, Arnaldo Baptista e Mamonas Assassinas como protagonistas. Já a segunda metade do ano promete não ser muito diferente. O post comentava sobre a possibilidade de se fazer uma mostra apenas com documentário musicais nacionais. Eis que a idéia se torna realidade no  4º <a href="http://www.festlatinosp.com.br/port/2009/index.html" target="_blank">Festival de Cinema Latino-Americano de São Paulo</a>, que ocorrerá entre 6 e 12 de julho.</p>
<p style="text-align:justify;">Para esta mostra foram selecionados nove longas-metragens, entre eles os já citados  <em>Ninguém Sabe o Duro Que Dei</em>, <em>Titãs – A Vida Até Parece Uma Festa</em>, <em>Loki – Arnaldo Baptista</em>, <em>O Mistério do Samba</em> e <em>O Homem que Engarrafava Nuvens</em>, que ainda não estreou em circuito. Outros títulos ainda inéditos nas salas de cinema e que compõe a programação são <em>O Milagre de Sta. Luzia</em> (2008, Sergio Roizenblit), sobre Dominguinhos e a sanfona, <em>Contratempo</em> (2008, Malu Mader e Mini Kerti), sobre a importância da música nas comunidades carentes do Rio de Janeiro. <em>Jards Macalé, o Morcego na Porta Principal </em>(2008, Marco Abujamra e João Pimentel) e <em>Waldick– Sempre no Meu Coração</em> (2007, Patrícia Pillar), sobre os artistas que deram nome aos filmes também estão na programação.</p>
<p style="text-align:justify;">O festival fará uma homenagem a Nelson Pereira dos Santos, considerado um dos precursores do Cinema Novo, e um dos diretores mais importantes do cinema nacional, com 37 filmes na carreira, dentre eles <em>Vidas Secas</em> (1962) e <em>Rio 40 Graus</em> (1957). Alex Viany e a retomada do cinema latino são outros motes que deram origem a sessões dentro do Festival de Cinema Latino-Americano de São Paulo, que exibirá mais de 100 filmes, de 16 países diferentes. A programação completa, disponível no <a href="http://www.festlatinosp.com.br/port/2009/index.html" target="_blank">site</a>,  estará dividida em salas do Memorial da América Latina, Cinemateca Brasileira, CineSesc, Cinusp &#8220;Paulo Emílio&#8221;, Museu da Imagem e do Som e Teatro Cacilda Becker. A entrada é franca.</p>
  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/camilafink.wordpress.com/261/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/camilafink.wordpress.com/261/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/camilafink.wordpress.com/261/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/camilafink.wordpress.com/261/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/camilafink.wordpress.com/261/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/camilafink.wordpress.com/261/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/camilafink.wordpress.com/261/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/camilafink.wordpress.com/261/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/camilafink.wordpress.com/261/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/camilafink.wordpress.com/261/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=camilafink.wordpress.com&blog=2681610&post=261&subd=camilafink&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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		<title>Voando com O Balão Vermelho</title>
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		<pubDate>Fri, 26 Jun 2009 11:37:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Camila Fink</dc:creator>
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O Balão Vermelho (1956) é simples e lúdico. É daquelas obras que nos pegam já nas primeiras cenas para nos levar de volta à infância. Trata-se de um garoto, representado pelo filho do diretor do filme, Albert Lamorisse, que encontra um balão amarrado a um poste de luz e o liberta. Este plano-sequência surpreende o [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=camilafink.wordpress.com&blog=2681610&post=240&subd=camilafink&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><em><img class="aligncenter size-full wp-image-241" title="balãovermelho" src="http://camilafink.files.wordpress.com/2009/06/balaovermelho.jpg?w=500&#038;h=313" alt="balãovermelho" width="500" height="313" /></em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>O Balão Vermelho</em> (1956) é simples e lúdico. É daquelas obras que nos pegam já nas primeiras cenas para nos levar de volta à infância. Trata-se de um garoto, representado pelo filho do diretor do filme, Albert Lamorisse, que encontra um balão amarrado a um poste de luz e o liberta. Este plano-sequência surpreende o espectador, que não sabe o que a criança quer até terminar a escalada ao poste. A partir daí, o balão começa a segui-lo por toda Paris.</p>
<p style="text-align:justify;">O diretor cria assim uma “fábula” sobre a infância e o amadurecimento, na medida em que dá vida a um objeto a princípio inanimado. O balão vira uma espécie de cachorrinho, ou melhor, um melhor amigo. O processo de zoomorfização, ouso até dizer, quase uma antropomorfização, é tão intenso que o balão não só acompanha o garoto, como também tem atitudes próprias. Como no trecho em que ele não quer ser segurado pelo seu companheiro, em um dos momentos mais divertidos do filme, ou durante as peripércias dos dois pelos bondes, a caminho da escola e no retorno para casa.</p>
<p style="text-align:justify;">A beleza de <em>O Balão Vermelho</em>, como já afirmou André Bazin, em “Montagem Proibida”, não surge da utilização da montagem. O crítico afirma que o cineasta “recorre a ela acidentalmente” (grifo do autor) e que o balão realiza os movimentos que vemos em cena, por meio de truques e, por isso, “a ilusão, aqui surge como na prestidigitação da realidade. Ela é concreta e não resulta dos prolongamentos virtuais da montagem”. O menino e o balão, portanto, são protagonistas, pois estão sempre enquadrados em igual destaque e aparecem em planos duradouros.</p>
<p style="text-align:justify;">A sensibilidade aflora em uma explosão de graça e delicadeza, quando a molecada resolve perseguir a dupla na tentativa de tomar o balão. Daí sucede uma sequência de perseguição e de alumbramento para retratar a vida, as descobertas sobre o mundo e as pessoas, a amizade, e, principalmente, fazer uma defesa da magia e do poético no cotidiano. Há pouquíssimos diálogos<em>, </em>a narrativa se desenvolve apenas com suporte da imagem e a trilha sonora acompanha quase todas as cenas. Com seus poucos minutos de duração, <em>O Balão Vermelho</em> venceu o Oscar de Melhor Roteiro Original, o Prêmio Especial do Bafta Awards e a Palma de Ouro da sua categoria, todos no ano de 1957, e continua encantado todos que têm o prazer de o assistir.</p>
  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/camilafink.wordpress.com/240/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/camilafink.wordpress.com/240/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/camilafink.wordpress.com/240/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/camilafink.wordpress.com/240/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/camilafink.wordpress.com/240/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/camilafink.wordpress.com/240/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/camilafink.wordpress.com/240/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/camilafink.wordpress.com/240/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/camilafink.wordpress.com/240/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/camilafink.wordpress.com/240/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=camilafink.wordpress.com&blog=2681610&post=240&subd=camilafink&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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		<title>Peça regionalista trata de temas universais</title>
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		<pubDate>Tue, 23 Jun 2009 11:54:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Camila Fink</dc:creator>
				<category><![CDATA[Exposição]]></category>
		<category><![CDATA[Agreste]]></category>
		<category><![CDATA[Festa do Teatro]]></category>
		<category><![CDATA[João Carlos Andreazza]]></category>
		<category><![CDATA[Newton Moreno]]></category>
		<category><![CDATA[Paulo Marcelo]]></category>
		<category><![CDATA[Teatro]]></category>

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		<description><![CDATA[Em janeiro de 2004 estreava, discretamente, o espetáculo “Agreste”. Cinco anos depois, a peça que carrega na bagagem o troféu da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA) e o prêmio Shell, ambos de 2004, voltou aos palcos paulistanos para mais uma temporada. Depois de ter passado pelo Chile, Alemanha e por capitais brasileiras, o [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=camilafink.wordpress.com&blog=2681610&post=252&subd=camilafink&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p style="text-align:justify;">Em janeiro de 2004 estreava, discretamente, o espetáculo “Agreste”. Cinco anos depois, a peça que carrega na bagagem o troféu da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA) e o prêmio Shell, ambos de 2004, voltou aos palcos paulistanos para mais uma temporada. Depois de ter passado pelo Chile, Alemanha e por capitais brasileiras, o espetáculo do dramaturgo, diretor e ator pernambucano, Newton Moreno, 42, está em cartaz no Espaço Parlapatões e demonstra, mais uma vez, toda a sua qualidade lírica.</p>
<p style="text-align:justify;">O amor, temática recorrente na obra de Moreno, alinhava a história de um casal de lavradores nordestinos que tem uma paixão incondicional ameaçada por algo perigoso. Apesar do tom regionalista, o final gera uma reflexão sobre a intolerância, a ignorância e os limites do desejo. A encenação da Companhia Razões Inversas é dirigida por Marcio Aurélio e privilegia um cenário obscuro e econômico.</p>
<p style="text-align:justify;">“Agreste” é estruturado em blocos, tem diálogos curtos, mas assemelha-se a um monólogo, apesar de estarem em cena João Carlos Andreazza e Paulo Marcelo, que se revezam magistralmente como personagens e narradores. O tempo é arrastado e lento, o que é sentido pelo espectador logo no início. A estética seca e delicada dá um ar rústico e, ao mesmo tempo, intimista ao texto, que atrai o público para refletir sobre conflitos do indivíduo e da sociedade, de forma que nem mesmo a idéia do mais puro amor passa ilesa aos valores sociais e idiossincrasias humanas.</p>
<p style="text-align:justify;">A peça está na programação da Festa do Teatro, evento que ocorre entre 19 e 28 de junho, para promoção do acesso a programação teatral da cidade. Se quiser aproveitar, a  próxima distribuição de ingressos para a apresentação do dia 27 de junho será um dia antes, 26/06, das 11h às 15h, no Posto Teatro Municipal (Praça Ramos de Azevedo, S/N), e das 16h às 20h, no Posto Centro Cultural São Paulo (Avenida Vergueiro, 1000).</p>
<p><strong>Agreste</strong><br />
Espaço Parlapatões – pça. Franklin Roosevelt, 158, República, região central, tel 3258-4449. 98 lugares. Sáb.: 19h.</p>
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		<title>Despretensioso, Apenas o Fim conquista o público</title>
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		<pubDate>Fri, 19 Jun 2009 15:29:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Camila Fink</dc:creator>
				<category><![CDATA[Pipoca]]></category>
		<category><![CDATA[Apenas o Fim]]></category>
		<category><![CDATA[Érika Mader]]></category>
		<category><![CDATA[baixo orçamento]]></category>
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		<category><![CDATA[Truffaut]]></category>
		<category><![CDATA[Whisky]]></category>
		<category><![CDATA[Woody Allen]]></category>

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		<description><![CDATA[Enquanto os realizadores se estapeiam para ganhar um edital para produzir um filme, alguns jovens optaram por rifar uma garrafa de whisky. Com o saldo de aproximadamente 8 mil reais e apoio da faculdade e da produtora Mariza Leão, de Meu Nome Não é Johnny, nasceu Apenas o Fim. O estreante em longas-metragens por trás [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=camilafink.wordpress.com&blog=2681610&post=243&subd=camilafink&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p style="text-align:justify;"><img class="aligncenter size-full wp-image-244" title="apenasofim" src="http://camilafink.files.wordpress.com/2009/06/apenasofim.jpg?w=440&#038;h=250" alt="apenasofim" width="440" height="250" />Enquanto os realizadores se estapeiam para ganhar um edital para produzir um filme, alguns jovens optaram por rifar uma garrafa de whisky. Com o saldo de aproximadamente 8 mil reais e apoio da faculdade e da produtora Mariza Leão, de <em>Meu Nome Não é Johnny</em>, nasceu <em>Apenas o Fim</em>. O estreante em longas-metragens por trás desta idéia é Mateus Souza, estudante de 20 anos da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro.</p>
<p style="text-align:justify;">Tudo gira em torno da história de uma jovem que, cansada de tudo e de todos, inclusive de Antônio, seu namorado, decide fugir. Sua última hora antes de partir ela resolve passar com ele. Neste fim de relacionamento, eles relembram os bons momentos que passaram, criticam-se e fazem auto-críticas, enquanto Tom tenta convencê-la a desistir.</p>
<p style="text-align:justify;">O filme já foi comparado às comédias de Woody Allen, aos dramas de Domingos de Oliveira e a <em>Antes do Amanhecer </em>(1995) e <em>Antes do Por-do-sol</em> (2005), de Richard Linklater. A influência destes e de outros diretores como Bergman, Truffaut e do lema glauberiano “uma câmera na mão e uma idéia na cabeça” não passou à toa pelo jovem estudante de cinema, para a nossa sorte.</p>
<p style="text-align:justify;"><em>Apenas o Fim</em> possui um argumento simples, foi filmado com tecnologia digital em aproximadamente 15 dias. A narrativa se passa em dois tempos. No passado, o casal aparece dentro de ambientes fechados, quartos e salas, nos quais têm diálogos intimistas, superficiais e clichês, por vezes, típicos de duas pessoas que querem se conhecer. A fotografia em preto e branco, os enquadramentos fechados e o posicionamento da câmera estática em plonggé, (de cima para baixo) contribuem para construir o clima. No presente, em cores, eles conversam enquanto passeiam pelos cantos da universidade, principal cenário da história. As transições entre estes dois momentos temporais lembram uma televisão fora de sintonia, remetendo ao estado espiritual dos dois personagens. Privilegiam-se planos longos, a câmera alternada, às vezes, leve e em movimento, outras vezes fixa, e a trilha sonora surge apenas como complemento, não para gerar emoção.</p>
<p style="text-align:justify;">A simpatia do público se dá não apenas pelos temas contemporâneos da atual geração de jovens universitários. A situação representada é universal e comum a maioria dos casais de namorados. Além disso, é resultado do trabalho da convincente e realista atuação da dupla Érika Mader e Gregório Duvivier, que já trabalhou junta em <em>Podecrer! </em>(2007) e aceitou participar sem cobrar cachê.</p>
<p style="text-align:justify;">Despretencioso e com orçamento baixíssimo &#8211; metade da renda veio do Departamento de Comunicação Social da PUC-RJ, o restante da tal rifa- o filme só chegou ao chamado grande circuito depois de ser promovido pela internet, por meio de blog, Twitter, Facebook, Myspace, Orkut, Youtube e um site. O longa, distribuído pelo Grupo Estação, já recebeu prêmio de melhor filme do Júri Popular no Festival do Rio e na Mostra Internacional de São Paulo, além de ser selecionado para participar de festivais internacionais em Nova Iorque, Miami, Paris, Rotterdam, entre outros.</p>
<p style="text-align:justify;">Quem acompanha as recentes produções nacionais sabe que o filme surpreende, pois distoa em forma, conteúdo, produção e distribuição, dos dramas sócio-econômicos e comédias românticas que avassalam as salas de cinema sem dar espaço para  filmes de indivíduos, sobre  sentimentos, coisas cotidianas e questões existenciais. Nós torcemos para que <em>Apenas o Fim</em> seja, com o perdão do trocadilho clichê e só para ficar no divertido climão dos diálogos do filme, apenas o começo.</p>
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