Filmes para o Enem

Todo estudante que já passou por um processo seletivo ou que ainda vai prestar vestibular encontra pelo caminho uma prova recheada de fatos históricos e de atualidades. Por isso, o Ikwa selecionou uma lista de dez filmes para revisar alguns destes temas e ajudar você a mandar bem no Enem e nos vestibulares deste final de ano.

Veja a galeria de fotos

“Nós Que Aqui Estamos Por Vós Esperamos”
Marcelo Masagão, 1998
O primeiro lugar da lista é bastante merecido, afinal o filme do brasileiro Marcelo Masagão constrói uma retrospectiva dos fatos que mudaram o mundo no século XX a partir da vida de personagens anônimos e personalidades famosas.

O filme começa colorido, em um cemitério no qual o portal leva a frase que inspirou o título deste longa. Mas logo tela fica em preto e branco e  assim você mergulha em um rico arquivo montado com  imagens de documentários, propagandas e programas de televisão e fotos. E prepare-se: não há diálogos e narração, mas a música e os breves textos são o suficiente para dar liga nesse emaranhado de informações. Você verá desde as revoluções sociais e culturais, as alterações na vida cotidiana após invenções como o telefone, o carro e a energia elétrica, até a desumanização dos homens nas guerras e nos regimes totalitários. Ao mesmo tempo em que retrata a Revolução Cultural chinesa, a queda do Muro de Berlim, o crash da Bolsa de 1929, os efeitos das bombas nucleares, entre outros tantos fatos, também há destaque para pensadores como Marx e Freud e representantes de diversos movimentos artísticos e religiosos. No trecho acima, um mix de Fred Astaire e Garrincha, mestres das pernas e dos pés.

“2001 – Uma Odisseia no Espaço”
Stanley Kubrick, 1968
Neste ano comemoram-se 40 anos da chegada do homem à Lua. A ocasião foi brindada na época com a famosa frase do astronauta Neil Armstrong: “Este é um pequeno passo para um homem, mas um grande salto para a humanidade.” Se o homem realmente chegou na Lua ou não, é o de menos. Deixando as teorias conspiratórias de lado, a verdade é que o fato pode aparecer nos vestibulares deste ano. Para entrar no clima, uma boa sugestão é assistir a esta que é considerada uma das maiores obras primas do cinema e da ficção-científica.

O filme começa na pré-história, quando um monolito negro cai na Terra e vai até 2001, quando a equipe de David Bowman (Keir Dullea) e Frank Poole (Gary Lockwood) é enviada para Júpiter. Porém, o único que conhece o objetivo da missão é HAL 9000, computador que funciona com inteligência artificial. A viagem, no entanto, não será tão tranquila quanto parece. O diretor Stanley Kubrick e o roteirista Arthur C. Clarke se adiantaram e fizeram o homem viajar no espaço e chegar em Júpiter um ano antes do governo americano pisar em solo lunar. Aproveite a onda conspiratória e repare no nome HAL, formado pelas letras que antecedem o nome da empresa de informática IBM.

“O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias”
Cao Hamburger, 2006
Mauro (Michel Joelsas) é um garoto de 12 anos apaixonado por futebol que mora com o pai e a mãe em Belo Horizonte. Um dia, em 1970, seus pais precisam sair repentinamente de férias deixando-o aos cuidados do avô Mótel (Paulo Autran), em São Paulo. Enquanto espera o retorno dos dois e a final da Copa do Mundo, ele precisa se adaptar à nova vida no bairro do Bom Retiro, em São Paulo, e ao velho e rabugento vizinho Shlomo (Germano Haiut). O que o mineirinho Mauro menos imaginava é que seus pais estavam sendo perseguidos pelo governo.

O filme é uma boa recomendação para compreender os anos ditatoriais no Brasil. Tem uma excelente direção de arte, reproduzindo cenários, ambientes e roupas da época com realismo. O contexto histórico de repressão, perseguição política e de efervescência do nacionalismo, incentivado pela seleção na Copa do Mundo do México, serve apenas como pano de fundo para a discussão sobre a situação política e social do país. Além disso, o filme aborda a reconstrução da identidade, já que o menino precisa se adaptar à nova  cidade, à comunidade judaica do bairro e, ao mesmo tempo, passar para adolescência sem abandonar bruscamente a infância.

“Babel”
Alejandro González-Iñárritu, 2006
Em plena “Era Digital” e de conectividade o mundo parece cada vez menor e a comunicação mais ágil. Porém, isso não é necessariamente verdade. Pelo menos é o que o diretor Iñarritu aborda em “Babel”, último filme da trilogia composta por “Amores Brutos” e “21 gramas”. Neste longa, histórias de pessoas do Marrocos, Estados Unidos, Japão e México, se cruzam inesperadamente depois de um acidente envolvendo um casal norte-americano que viajava de ônibus durante as férias.

A partir do conceito de globalização, o longa-metragem coloca em questão a incomunicabilidade, inspirada na passagem bíblica da Torre de Babel. A narrativa se passa em três continentes com atores de diversas origens (Brad Pitt, Cate Blanchett, Gael García Bernal, Kôji Yakusho, Adriana Barraza e Rinko Kikuchi), o que intensifica as diferenças culturais retratadas. Além disso, os quatro núcleos passam por temas como a situação de imigrantes mexicanos que tentam atravessar a fronteira com os Estados Unidos; a dificuldade de adaptação de deficientes a um mundo movido pelos estímulos sensoriais; e o medo, sob a forma de uma ameaça terrorista.

“Persépolis”
Vincent Paronnaud e Marjane Satrapi, 2007
Exames como o vestibular e o Enem costumam cobrar conhecimentos sobre atualidades e momentos históricos representativos. Neste ano, por exemplo, a Revolução Islâmica, liderada pelo aiatolá Ruhollah Khomeini, faz 30 anos e o assunto pode gerar algumas questões nas provas.

O filme indicado aqui é baseado na história em quadrinhos homônima. Autobiográfico, a ilustradora Marjane Satrapi conta como viveu a queda do xá Reza Pahlevi (1919-1980) e o início da nova República Islâmica no Irã quando ainda tinha apenas oito anos. Com a mudança, instala-se um novo regime político e valores culturais, e seus pais decidem enviá-la para um intercâmbio na Europa, quando o país entra em guerra. Ela precisa aprender a ficar sozinha, longe de sua família e da sua terra de origem para viver como estrangeira, estudar, atravessar a adolescência e virar adulta.

Além de tratar da revolução, da instauração do regime ortodoxo no Irã e da guerra com o Iraque, esta animação também reflete sobre temas universais, como o amor, a tristeza e a saudade. O filme manteve a inspiração na série em quadrinhos, com traços infantis, tons de preto, branco e cinza. Muito bem roteirizado, a obra cinematográfica usa o humor para aliviar a tensão das situações passadas por Marjane.

“Hotel Ruanda”
Terry George, 2004
Um dos eventos mais chocantes e que marcou a história da África foi o conflito civil ocorrido em Ruanda. Na época do neocolonialismo, a Bélgica ocupou o país e dividiu a população entre os tutsis- mais altos, com a pele mais clara e nariz mais fino- e hutus, que eram considerados inferiores por terem traços menos ocidentais. Em 1994, o assassinato do presidente Juvenal Habyarimana desencadeou uma guerra civil entre as duas etnias que matou mais de um milhão em cem dias.

Sensibilizado pelo absurdo da situação, Paul Rusesabagina (Don Cheadle), gerente de um famoso hotel, decide abrir as portas do estabelecimento e abrigar a sua mulher tutsi Tatiana (Sophie Okonedo), os filhos e as vítimas da perseguição. Na vida real, Paul Rusesabagina recebeu mais de 1200 adultos e crianças no hotel e ganhou, anos depois, um prêmio da ONU, que não interferiu na guerra na época apesar de estar consciente dos incidentes.

“Adeus, Lenin!”
Wolfgang Becker, 2003
Em novembro deste ano completam-se 20 anos da queda do Muro de Berlim, que dividiu a capital alemã em uma metade capitalista e outra socialista, de 1961 a 1989.

Christiane Kerner (Katrin Sass) é uma defensora do comunismo que infarta e entra em coma ao encontrar seu filho em uma passeata contrária ao sistema vigente na Alemanha Oriental. Meses depois, debilitada e com o coração fraco, ela desperta e seu filho Alex (Daniel Brühl) não quer contar que o muro caiu e que agora as metades alemãs estão unificadas. A solução foi recriar dentro do apartamento da família a mesma Alemanha socialista na qual viviam antes da mudança. A tarefa, no entanto, se mostra bem mais complicada, já que Alex, sua irmã e os amigos precisam forjar telejornais para passar na televisão e caçar embalagens velhas para disfarçar os produtos industrializados, entre tantas outras dificuldades. É muito interessante notar as diferenças de posturas políticas entre as duas gerações e reconhecer como a família Kerner é um microcosmo da Alemanha da época.

“Diários de Motocicleta”
Walter Salles, 2004
Ernesto Guevara de La Serna foi um líder revolucionário e político que atuou ao lado de Fidel Castro na Revolução Cubana, evento que completa 50 anos em 2009. Também participou de guerrilhas no Congo e na Bolívia, onde foi capturado e assassinado, em 1967. Porém, nem sempre Che teve esse ímpeto. Para refletir  como uma pessoa começa a ter consciência e maturidade para decidir qual caminho seguir, o filme de Walter Salles é um bom exemplar.

Che (Gael García Bernal) cursava medicina quando resolve fazer uma viagem de mais de oito mil quilômetros pela América Latina, acompanhado do amigo bioquímico Alberto Granado (Rodrigo de la Serna). Abordo de uma motocicleta apelidada de “La  Poderosa” eles deixam Buenos Aires e partem para o interior do continente em busca de algo que nem eles sabiam exatamente o que era. Durante o trajeto, conhecem habitantes locais, cidades históricas e belas paisagens, enquanto se deparam com a situação precária e miserável em que vivem as pessoas que deixam para trás. O resultado da viagem todo mundo conhece. Muito bem executado, com uma bela fotografia e trilha sonora vencedora de prêmios, o longa é fruto de uma longa pesquisa de mais de dois anos. O filme passa longe de ser panfletário e termina antes mesmo do jovem resolver trilhar o caminho político. Trata-se de um filme sobre um homem, não sobre um mito.

“O Suspeito”
Gavin Hood, 2007
Um egípcio (Omar Metwally) radicado nos Estados Unidos há mais de 20 anos torna-se o principal suspeito de participar de um grupo terrorista. Ele é pego pelo governo estado-unidense e  forçado a confessar com torturas. Enquanto isso, sua mulher (Reese Whiterspoon) tenta se articular com políticos para descobrir seu paradeiro. Jake Gyllenhall faz o papel de um atormentado agente da CIA que decide agir, em um misto de alívio de culpa e de contrariedade às estruturas do intrincado sistema de controle do governo americano.

Muito mais do que discutir o preconceito e o medo que surgiram após o 11 de setembro nos EUA, o filme coloca em questão o poder ilimitado do Estado com a liberdade de suspensão de direitos sociais, políticos e civis. Tudo em nome da chamada segurança nacional. Trata também da construção da identidade nacional, dos jogos de poder e questiona as políticas de segurança dos países. Para se aprofundar no tema, outro opção é “Caminho para Guantánamo” (2005).

“Notícias de Uma Guerra Particular”
João Moreira Salles e Katia Lund, 1999
O documentário é um dos primos de “Cidade de Deus”, de Fernando Meirelles, e irmão do polêmico “Tropa de Elite”, de José Padilha. Assim como os dois longas ficcionais, este filme também discute a violência e o poder adquirido pelo tráfico de drogas. O documentário, resultado de dois anos de entrevistas com policiais, políticos e moradores do morro Dona Marta, no Rio de Janeiro, foi realizado por encomenda de um canal da televisão francesa.

Os depoimentos mais marcantes são o do ex-capitão do BOPE Rodrigo Pimentel (que inspirou o filme de Padilha), de Helio Luz, então chefe da Polícia Civil, e de um dos fundadores do Comando Vermelho. Há ainda a preocupação em mostrar como a chegada das drogas se refletiu na ampliação do tráfico e no crescente distanciamento entre o morro e o asfalto. Além dos excelentes depoimentos coletados e da captação direta de imagens in loco, o mérito do filme é tentar, ao máximo, se manter neutro sem tomar partido de nenhum dos lados desta “guerra particular”. Algumas edições em DVD também tem como extra o filme “Santa Marta: Duas Semanas no Morro”, de Eduardo Coutinho, que também trabalha o mesmo assunto.

Publicação original: Site Ikwa (21/09/2009)

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