Por dentro dos cursinhos populares

Você quer se preparar para o vestibular e não tem grana? Não se desespere. Existem diversos cursinhos populares espalhados pelo país para atender estudantes com o seu perfil

Vestibular é sinônimo de tensão. Muito conteúdo para estudar, provas e a concorrência com centenas de candidatos podem dar a impressão de que o sonho de entrar em uma universidade fica muito distante. Ainda mais quando você quer se preparar melhor e não tem muito dinheiro para pagar um curso pré-vestibular convencional. O que fazer? Não se desespere. Existem diversos cursinhos populares espalhados pelo país que ensinam tudo o que você precisa saber sem cobrar uma mensalidade cara.

História
Os cursinhos comunitários, ou populares, como são conhecidos, surgiram no país em meados da década de 70. Em geral, são organizados por professores e alunos voluntários interessados em oferecer um curso qualificado cobrando uma mensalidade “simbólica”. É o caso do Cursinho Popular mantido pela Associação Cultural de Estudantes e Pesquisadores da USP (Acepusp), que combina a proposta tradicional dos pré-vestibulares com atividades extra-curriculares, como grupos de estudos, aulas de coral, teatro e sessões de cinema seguidas de debates. Não é à toa, já que a maioria dos estudantes que procuram a instituição pretendem entrar em filosofia, letras e outros cursos ligados a ciências humanas. “Atualmente, nossos alunos também estão de olho nos novos cursos da USP-Leste, como gestão ambiental e gestão pública.”, afirma o coordenador pedagógico Robson Muraro.

Guilherme Louzada, 21 anos, foi aluno durante um semestre e passou em engenharia aeroespacial na Universidade Federal do ABC. Gostou tanto do ambiente do cursinho que se tornou plantonista de matemática, física e química. Um ano depois, foi contratado como professor. Guilherme afirma que a experiência é gratificante: “Precisamos explicar a mesma coisa de diversas formas para fazer toda a turma entender. Elaboro melhor o raciocínio e o vocabulário, o que se reflete também nos trabalhos e provas da faculdade.”

Companheirismo
Atrair jovens interessados em ajudar outros estudantes a passar no vestibular é uma característica comum àqueles que fazem parte desses cursinhos. Há mais de 10 anos, os alunos de psicologia da USP coordenam o Cursinho da Psico. Jéssica Andrade, 17 anos, estudou lá em 2009, enquanto ainda terminava o ensino médio. “Os professores sempre deram muita abertura para o diálogo, não fica aquela aula chata em que eles ficam na frente falando e os alunos quietos ouvindo.” A estudante, que prestou vestibular para letras e jornalismo, conta que outro diferencial é a cumplicidade entre os alunos. “Aqui ninguém fica comparando nota de simulado e achando que é seu concorrente. Todo mundo se ajuda.” No Cursinho da Psico, a seleção é feita a partir de uma entrevista socioeconômica.

Cidadania
Na Educafro, rede de pré-vestibulares voltada para afrodecendentes, o critério é ter feito o ensino básico na rede pública e ser carente financeiramente. O fundador e diretor, Frei David dos Santos, estima que cerca de 12 mil alunos já ingressaram em universidades públicas ou particulares com bolsa de estudo. “Temos de 70% a 80% de aprovação entre os que chegam até o fim do curso. Como nos cursinhos pagos, muitos abandonam o curso durante o ano, frente ao grande número de dificuldades que enfrentam.”

Os cursinhos comunitários, em geral, pertencem a associações sem fins lucrativos e o maior desafio é a manutenção financeira. Por isso, precisam fazer parcerias com empresas e órgãos governamentais. De acordo com Frei David, “os espaços onde instalamos os núcleos são salões de igrejas e salas de escolas públicas. São locais cedidos que não geram custos”. A instituição, assim como os cursinhos da Psico e da Acepusp, também conta com o apoio de professores e coordenadores voluntários. Em geral, os preços destes cursinhos também são populares. As mensalidades variam de R$50 a R$180, e muitos ainda oferecem bolsas de estudos. Tudo para ajudar os estudantes a estudarem sem pesar no bolso.

Publicação original: Site Ikwa (11/02/2010)

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